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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2013
Fundos de Investimento - Introdução

Com a queda generalizada das remunerações dos depósitos a prazo, que chegou até mesmo ao campeão dos DPs - o PrivatBank - muitas pessoas procuram agora alternativas para rentabilizar o dinheiro. Os fundos de investimento (FI) podem ser uma alternativa interessante, mas, dado que são um mundo gigantesco, convém ter algumas noções de como funcionam antes de se aventurar neles. Enquanto que alguns possuem riscos não muito diferentes de depósitos a prazo, outros podem muito bem provocar valentes perdas/ganhos.

Antes de mais, convém ficar bem claro um facto muito importante: ao contrário dos depósitos a prazo, os fundos de investimento não têm garantia de rentabilidade nem de capital. Isto quer dizer que há a hipótese de não ganhar dinheiro nenhum, ou até de perder.

 

O que são fundos de Investimento?

 

Pegando um pouco no que já disse a respeito do Eurovida Renda 2015um fundo de investimento é uma soma de dinheiro que pessoas/empresas entregam a uma empresa gestora, a qual, por sua vez, o vai aplicar em vários tipos de produtos, tais como obrigações, ações, depósitos a prazo, moedas, matérias-primas, e até outros fundos. Como resultado desses investimentos, o valor desse fundo vai subindo ou descendo consoante a empresa gestora faz bons ou maus negócios.

Outra forma de ver isto é imaginarmos um fundo como se fosse um saco contendo pedaços de empresas, dívidas, matérias-primas, imobiliário, depósitos a prazo, papel-moeda, para citar os mais comuns. Com o dinheiro entregue pelos subscritores, a entidade gestora compra partes de empresas (ações), empresta dinheiro a estados ou empresas (obrigações), compra ouro, prata ou outros metais (matérias-primas), investe em casas (imobiliário) ou depósitos a prazo/moeda (monetário ou liquidez). Aquilo que se escolhe comprar e em que proporções depende to tipo de fundo que a gestora oferece. Se é um fundo de ações, naturalmente que o que vamos encontrar dentro do saco são ações. Pela mesma lógica, fundos de obrigações, matérias-primas e imobiliários estarão preenchidos sobretudo pelas respetivas classes de ativos. Depois existem ainda fundos mistos, que como o nome indica, podem ser mais abrangentes e ter uma mistura de vários ativos. Do lado oposto temos fundos altamente específicos, que podem dedicar-se a investimentos mais bem delimitados, do tipo pequenas empresas americanas; obrigações nórdicas; empréstimos para habitação de bêbados desempregados sem meios de subsistência e a cheirar a cavalo.... (como é que pensam que aconteceu a grande crise imobiliária dos EUA?).

Tipos de fundos de investimento

A rentabilidade do fundo depende do aumento de valor daquilo que tem dentro: dividendos das ações, juros de obrigações, valorizações de máterias-primas, obrigações e ações, rendas de prédios, etc. Uma vez que existem tantas coisas dentro de um fundo, nem todas ganham valor. Mas o objetivo de ter um fundo é que o somatório das valorizações-perdas dos vários componentes seja positivo.

No entanto, o saco não está estático. O gestor encarregue do fundo está constantemente a retirar coisas do saco e trocá-las por outras que lhe pareçam melhores, dentro dos limites do fundo. Por exemplo, um fundo que aposta em ações de países em vias de desenvolvimento pode desfazer-se de ações de algumas empresas chinesas e optar por outras melhores, dentro dos países emergentes. Mas não se pode pôr a comprar ações de empresas alemãs.

 

Então como é que fundos que sejam compostos por obrigações podem descer, mesmo sem haver nenhuma falência?


Quando um investidor privado compra uma obrigação de uma empresa (ou estado), fica com direito a receber todo o capital investido e juros periodicamente. Mas se ele achar que a empresa pode falir e não lhe vai pagar tudo, pode decidir vender esse direito a outra pessoa, por um valor mais baixo do que aquele que investiu, para não correr o risco de perder o dinheiro quase todo. Esse tipo de mercado, chamado mercado secundário de obrigações, faz com que o valor da dívida dessa empresa suba ou desça consoante o risco de não-pagamento diminua ou aumente. Isto faz com que fundos que tenham no seu interior essa obrigação percam valor se os receios em torno da empresa aumentam, mesmo que esta continue a pagar juros. Para além disso, se um fundo de obrigações que só possui obrigações de empresas sólidas se vir em mãos com uma empresa que deixe de ser tão segura, naturalmente que a vai tirar do seu saco, ainda que o venda com um valor inferior. Por estes motivos os fundos de investimento estão sujeitos a oscilações de valor, mesmo com aplicações que paguem juros periodicamente.

 

"Falência" de fundos

 

A "falência" de um fundo é um tópico sobre o qual muitos se interrogam. Pois se não há garantia de capital e o fundo pode descer de valor, não seria possível ele falir completamente?

A resposta é que, tal como existem, os fundos não podem falir. A Deco dá uma boa explicação deste tema, e recomendo a sua leitura.

De forma simplificada, um fundo não pode falir como uma empresa ou um banco, já que o que existe na realidade é um saco cheio de títulos comprados com o dinheiro dos subscritores. Um dos componentes do saco pode falir, fazendo o va lor do fundo descer. Mas a probabilidade de TUDO o que lá está dentro falir simultaneamente é astronomicamente pequena. E os fundos não se podem pôr a emprestar dinheiro que não é deles em grandes quantidades. O mais parecido com uma falência seria se houvesse algum desastre com o banco onde o fundo deposita os seus títulos (ou seja, o banco que guarda o saco) e que por alguma falcatrua o fundo ficasse a arder. Nesse caso altamente improvável, existe o Sistema de Indemnização aos Investidores, que garante o reembolso a cada pessoa até 25.000€.

É claro que se pode perder muito dinheiro nos fundos, mas não por ditas "falências".

 

Escolha de fundos e de intermediários

 

Então que fundos devo escolher, quais os que recomenda?


Ai está uma pergunta para a qual não tenho boas respostas. Dado que os fundos são um universo tão grande, possuindo tantos níveis de risco e categorias diferentes, é mutíssimo complicado comparar fundos e dizer que um é melhor do que o outro. Tudo isso depende do risco que uma pessoa está disposta a assumir, do tipo de ativos em que quer investir, do prazo de investimento e uma série de outros detalhes, como mínimos de subscrição, condições de resgate, coberturas de moeda estrangeira, etc. Uma noção que nunca é demais recordar é que rentabilidades passadas não equivalem a rentabilidades futuras. Logo, não podemos olhar para dois fundos e concluir que um é melhor do que outro, pois no ano passado deu mais x%. Nada garante que no ano seguinte o inverso não aconteça. Logo, convém sempre olhar para fundos com um historial grande, pois ele dá uma ideia mais acertada se tem sido bem gerido ou não. Isto pode ser feito por comparações com referências - benchmarks - que são geralmente índices que refletem o mercado geral da classe de ativos do fundo em questão (exemplo abaixo indica um fundo de obrigações bem gerido).

Pimco Global Bond

Esse é um tipo de avaliação que tem de ser feito fundo a fundo e convém estar sempre atualizado, para "saltar do navio" se os resultados e perspetivas não forem bons. Não tendo grande experiência nisto, resta-me apenas recomendar fórums de discussão que acho extremamente informativos e onde se fazem boas discussões de fundos, com principal relevância para fundos de baixo risco, nomeadamente de obrigações e liquidez.

No fórum Finanças Pessoais

No Caldeirão de Bolsa

São essas classes de FI que me parecem ser as melhores alternativas aos depósitos a prazo, já que fundos de ações comportam riscos maiores, fugindo mais ao perfil de investimento de pessoas habituadas a lidar apenas com depósitos a prazo.

 

E quanto aos melhores intermediários para subscrever fundos?

 

Aqui já é mais fácil opinar. Quase todos os bancos podem servir como intermediários para a compra de fundos. As diferenças prendem-se com a quantidade/variedade de fundos que eles apresentam, comissões praticadas, facilidade de consulta e de operações sobre os fundos. A banca online, que está mais virada para investimento, possui as melhores opções. O banco Best detaca-se pela positiva. Tem imensos fundos, inlcuindo fundos geridos pela gestora PIMCO, que é das mais conceituadas e das mais populares do mercado. A maior parte dos fundos não têm comissões extra de subscrição/custódia, e a plataforma deles para ver e negociar fundos é excelente. Tem também disponível um fundo de liquidez gerido pela gestora do grupo Espírito Santo que é muito interessante e de que falarei mais em detalhe brevemente (pois este artigo já vai extenso). Trata-se do fundo que conheço mais parecido com um depósito a prazo, que está a gozar de rentabilidades muito interessantes para o baixo risco que tem.

Para me despedir, deixo aqui o link com os conselhos aos investidores pela CMVM - Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, que é a entidade que regula o comércio de fundos de investimento em Portugal.

publicado por ruicarlov às 15:18
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1 comentário:
De Christiano @ Renda Extra a 6 de Outubro de 2015 às 09:52
Olá! Como tem passado? Estou com 46 anos e fiquei fã do seu texto e o jeito como ele fala a respeito de alcançar minha independência financeira. Que modelo de negócio posso seguir para tornar-me rico? Obrigado!

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